
Bom, a história é a seguinte: eu fui semana passada na locadora e aluguei três filmes do Harry Potter - porque, sabe como é, eu gosto de gastar dinheiro a toa - e fiquei com eles durante todo o recesso de fim de ano. Infezlimente, o pessoal aqui de Mal. Hermes não cuida nada bem dos DVDs da locadora e parece que eles foram arrastados no chão de tão destruídos. Resultado: quem disse que eu consegui ver "A câmara secreta" toda? Fui devolver e obviamente reclamei com a atendente, porque 'aquilo era um absrudo, como as pessoas cuidam do dvd assim, etc' Para minha - grata - surpresa, ela disse: 'Olha, você tem duas opções. Ou você espera a gente madar o menino que limpa eles consertar ou você pega outro filme de igual valor e leva sem pagar nada.' E não podia ter sido melhor! Ganhei de Natal do Mintira o livro "Orgulho e preconceito" e estava louca para ver o filme de novo! Tudo bem, eu podia ter alugado Star Wars, já que não vi o episódio V inteiro no domingo; ou qualquer outro filme inédito para mim. Mas a verdade é que eu estava morrendo de saudades do Mr. Darcy!
A razão desse post é escrever de novo sobre o filme, só que com um novo olhar. O primeiro post, lá atrás, é repleto de emoção, escrevi do fundo do meu coração mesmo e nele só tem espaço para romance, cenas lindas, arrepios e coração disparado. E sei que deixei de lado o excelente trabalho que o Joe Wright fez na direção. Além disso, agora que li o livro, posso parabenizar a roteirista Deborah Moggach pela fidelidade e respeito a obra de Jane Austen. As falas são praticamente idênticas, assim como a trama toda em si. Algumas coisas são diferentes, é claro, pois é difícil simplesmente transpor o livro. De tão fanática que estou, vi o filme com o áudio comentado do diretor e ele explica como foi laborioso transpor principalmente as inúmeras cartas presentes no livro. Segundo ele, cartas não são nada cinematográficas.
Então vamos por partes. Primeiro, o roteiro. O final é diferente, mas nada que atrapalhe a adaptação. É só ver "Wacthmen" sendo elogiadíssimo pelos fãs da HQ mesmo tendo um final diferente. Os diálogos têm a mesma linguagem do século XVIII, ou seja, não foi modernizado para um fácil entendimento - não que seja dificil entender claro, mas é tudo bem pomposo, como mandava o figurino da época.
Segundo: Joe Wright. Eu sou apaixonada por planos longos e ele abusa desse recurso no filme. Acho que dá uma veracidade maior ao que está aconcendo. Por exemplo, no grande baile de Netherfield, a câmera passeia pelos cômodos da mansão, mostrando o que cada personagem está fazendo. Você se sente como se fosse mais um convidado, um sortudo que está assitindo a tudo de camarote. Só falta ser convidado para dançar - de preferência pelo Mr. Darcy! Essas cenas são super difíceis de fazer, porque todo mundo tem que estar muito bem ensaiado, mas acho que vale a pena. Fica muito bonito, com mais alma e mais emoção, fatores às vezes retirados com o excesso de cortes. Aliás, a grande dança de Darcy e Lizzie, nesse mesmo baile, foi filmada em vários planos e em um longuíssimo. E Wright acabou escolhendo o longo, por ter 'tudo o que a montagem passava, e muito mais.' No fim, ainda no tal áudio comentado que falei anteriormente, o diretor se autocriticou (com ou sem hífen?!) por achar um pouco piegas aquilo ali. Mas, po, um romance tem que ter umas ceninhas mais fofuchas, né? Senão, qual é a graça? E nem achei tão piegas assim. A cena na chuva tem um quê a mais de piegas, porque todo bom romance tem que ter uma cena na chuva. Mas nem reclamo. Aquele aguaceiro só realçou os belos olhos do Mr. Darcy - brincadeirinha, Mintira!
A fotografia e a trilha sonora também são de cair o queixo. Queria saber como baixar as músicas do filme, mas acho difícil conseguir. As paisagens da Inglaterra e as grandes mansões imponentes dão um toque pralá de especial. O figurino é super fofo; amei aqueles lacinhos de fita que as Bennets usam o tempo todo. Até a Mary, a irmã mais séria, tem um figurino fofo.
Enfim, é isso. Sei que é meio chato ler sobre um filme de novo, mas, depois de assiti-lo mais calma e menos apaixonadamente, acho que ele merece um post que aborde seus aspectos técnicos também, que são tão maravilhosamente realizados. Os planos muito bem escolhidos, a sequência, o roteiro, a fotografia. É tudo magicamente bem feito.
Agora, um segredinho, só entre a gente: o Mr. Darcy ainda é a melhor coisa desse filme!