
O que dá se você juntar Quentin Tarantino, o maior diretor dos anos 90, com CSI Las Vegas, uma das mais importantes e influentes séries de todos os tempos? Um episódio foda, claro! Com 1h22min, Grave Danger ou Perigo a sete palmos em português, mostra os nossos CSIs tendo que investigar o sequestro do criminalista mais gente boa do laboratório, Nick Stokes. Ele é enterrado vivo e o sequestrador coloca uma câmera do "túmulo" onde todo mundo fica vendo o drama dele enquanto o oxigênio disponível vai acabando.
CSI Las Vegas estreou em outubro de 2000 nos EUA e foi criado por Anthony E. Zuiker. Ela conta a história de um grupo de cientistas forenses da polícia de Las Vegas, cujo objetivo é investigar crimes em circunstâncias incomuns. Apesar das histórias meio viagem na maionese, CSI é real e os criadores garantem que todos os equipamentos e técnicas usadas na série existem de verdade. Mas, é claro, nem no melhor laboratório do mundo, um resultado de DNA sai em um dia. Mesmo assim, CSI é considerada uma das melhores séries da história e tem dois "filhos": CSI Miami e CSI Nova York. É, mas sem o mesmo charme.
E no outro lado dessa história tem Quentin Tarantino, o diretor, ator e roteirista ítalo-americano, conhecido por roteiros não-lineares, diálogos rápidos e uso de violência extrema. São dessa mente genial clássicos como "Pulp Fiction", "Cães de Aluguel" e "Kill Bill". Tarantino também dirigiu e participou de dois episódios de "Alias", outra série famosa e importante.
Essa mistura rendeu um dos melhores episódios de séries que eu já vi na vida. E como são dois episódios (especificamente a season finale da 5ª temporada), ficou com a maior cara de filme. Tarantino imprimiu seu ritmo, seu estilo, mas ao mesmo tempo respeitou cada um dos personagens e a história da série. E, cara, ficou espetacular.
O episódio começa com Nick (George Eads) indo para a cena do crime dirigindo o seu carro e cantando uma música que está tocando na rádio - muito Tarantino. Em outra cena, dois técnicos do laboratório conversam sobre casualidades enquanto jogam um jogo de tabuleiro - outra cena muito Tarantino. Outro momento em que, mesmo sem saber, você percebe que tem o dedo do Quentin é que uma música tem função crucial no desenvolvimento da trama.
Aliás, que desenvolvimento! Ver o Nick enterrado é completamente desesperador e eu juro que cheguei à beira das lágrimas no clímax do episódio. E não porque foi dramático porque o Tarantino não faz essas coisas de filme da Julia Roberts, não. A tensão é extrema, como eu nunca tinha visto em nenhum episódio de CSI (e olha que eu sou fãzoca mesmo, hein!) e é de uma crueldade e violência absurda. Mas é claro, não podia ser diferente, pois isso é o Taranta que a gente tanto ama.
A fotografia e a direção de arte sempre são maravilhosas, mas não teve nenhuma diferença dos outros episódios da série. O clima escuro combinando com as luzes de Las Vegas mostra que aquela é a equipe do turno da noite. Não que todas as cenas sejam assim e Tarantino aproveitou como ninguém os momentos à luz do dia, como é o caso da cena memorável dentro de uma casa abandonada. Não falarei mais nada. Só vendo pra saber. Mas prepare-se. É maravilhoso.
Ah, e eu não posso esquecer dos diálogos que são ainda mais espetaculares que normalmente. O episódio destila muito mais daquela ironia, daquele sarcasmo que é maravilhoso e meio politicamente incorreto quando se trata de uma série tão séria. Mas, e daí, politicamente correto é um troço chato pra cacete. E quem melhor que Quentin para nos provar isso mais uma vez?
E, assim, CSI Las Vegas e Quentin Tarantino nos mostram que o que é bom pode, sim ficar melhor. Muito melhor. Infinitamente melhor. Pros fãs de cinema e seriados como eu se deliciarem. Ui.
