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| O coração cinéfilo do Rio |
Ontem eu fiz a coisa mais incrível de toda a minha vida cinéfila: fui assistir à tradicional Maratona ODEON, onde são apresentados três filmes durante a madrugada, com DJ nos intervalos e café-da-manhã no final (muito importante). É um evento tradicional e imperdível primeiro porque o ODEON é o cinema mais incrível do Rio. Construído em 1926. está localizado na Cinelância, berço da Sétima Arte na cidade. Segundo porque a Maratona costuma apresentar filmes inéditos, pré-estreias, o que dá um ar de exclusividade. Por último e não menos importante, é preciso citar que só quem já se sentou naquelas cadeiras vermelhas e assitiu a um filme bem debaixo daquele imenso e maravilhoso lustre pode dizer que já esteve em um cinema de alta classe. Ir ao cinema ali é outra história.
O primeiro filme da noite foi Jogo de Poder, com Naomi Watts e Sean Penn. O filme conta a história real da agente da CIa Valerie Palmer que tem seu nome revelado nos jornais após seu marido Joe Wilson escrever um artigo para o New York Times dizendo que a acusção do presidente Bush de que o Iraque tinha armas químicas era só uma desculpa. A equipe de Valerie Palmer havia descoberto isso nas investigações e o próprio Joe Wilson tinha ido como embaixador investigar o caso.
O filme não foi o melhor da noite, mas foi bem legal. O que mais me encantou foi que não era um filme de ação propriamente dito. Quando se pensa em CIA, imediatamente veem à nossa mente aquelas perseguições sensacionais, um quê de 007, tiroteios... "Jogo de Poder" é muito mais do que isso.
Ele conta a história de famílias abaladas pela 'guerra ao terror': a família de Valerie, que vê seu casamento definhar; a história da iraquiana usada para tirar informações do irmão cientista que estava envolvido na construção de armas nos anos 90, que vê o irmão ser perseguido por Saddam Russein e ter que fugir com a família do país. Uma ação recheada de drama, sem cair na pieguice. Vale a pena!
O segundo filme foi Caminho da Liberdade, o melhor da noite. Ele narra a incrível fuga de sete presos de um gulag (campo de concentração) soviético na Sibéria, no meio do nada misturado com gelo até perder de vista, e sua jornada por cinco países e milhares de quilômetros até um lugar seguro. Dirigido por Peter Weir (“O Show de Truman” e “Sociedade dos Poetas Mortos”) e com Ed Harris, Jim Sturgess, Colin Farrell, Saoirse Ronan, o filme é incrível.
Pra começar, a história deles é incrível. O roteiro já tava ali praticamente pronto com tudo o que tem direito: ação, drama, comédia, romance... Todos os gêneros em um só. Mas não teria saído um bom filme se não fosse pelas mãos competentes do cara que dirigiu ‘apenas’ “O Show de Truman” e “Sociedade dos Poetas Mortos”. Ele tem o mesmo mérito do primeiro: é emocionante sem utilizar de recursos novelescos: música dramática, lágrimas em excesso, alegrias também em excesso. Mas não. Weir soube encontrar o tom exato de cada momento. Você sofre junto com os caras, mas não ao ponto de saírem lágrimas de crocodilo dos seus olhos.
Outro elogio ao filme é a fotografia. Eles vão da neve ao calor do deserto e a fotografia do filme acompanha isso de maneira ímpar. As locações são lindas e mostram a força das naturezas que eles tiveram que enfrentar.
Agora, como poderia terminar sem elogiar Mr. Ed Harris? Meu Deus, como ele é bom ator! Tão sutil, mas ao mesmo tempo tão intenso. Apesar de não ser protagonista, ele é o personagem mais fundamental da história. Como só três chegam ao destino seguro (e nem vem me dizer que é spoiler
porque isso é dito no primeiro segundo do filme) a única coisa que eu pensava era “Não, o Ed Harris não pode morrer não!”. Não vou contar, mas posso dizer que o resultado me deixou muito feliz. Não só do Mr. Ed, mas de todo o filme.
Por último, passou Assassino à Preço Fixo (incrivelmente “The Mechanic”, no original). Estrelado pelo Jean Claude Van Damme da nova geração, Jason Statham, o filme conta a história do assassino de aluguel que passa a ensinar suas habilidades a um aprendiz que tem ligação com uma de suas vítimas.
Esse foi o mais fraquinho dos três. Ele bem que tentou colocar uma historinha lá, mas se resumiu basicamente ao Jason Statham e seu aprendiz fazendo coisas absurdas. Como foi dito pelos meus amiguinhos que foram comigo, tava lá só pro pessoal tirar um cochilo antes de ir para casa. E para eu ter uma crítica negativa para fazer aqui no blog. Porque fica chato quando só tenho elogios, né?
Mesmo que meio demorado para sair, tá aí o post sobre a incrível, sensacional, maravilhosa Maratona ODEON. Ah, esqueci de falar das outras coisas. Os DJs eram legais, mas acho que o pessoal estava mesmo interessado em cinema, não em dançar ouvindo rock inglês. E o café-da-manhã (muito importante). Bem, podia ter mais bolo!