domingo, 13 de março de 2011

Maratona ODEON


O coração cinéfilo do Rio

 

Ontem eu fiz a coisa mais incrível de toda a minha vida cinéfila: fui assistir à tradicional Maratona ODEON, onde são apresentados três filmes durante a madrugada, com DJ nos intervalos e café-da-manhã no final (muito importante). É um evento tradicional e imperdível primeiro porque o ODEON é o cinema mais incrível do Rio. Construído em 1926. está localizado na Cinelância, berço da Sétima Arte na cidade. Segundo porque a Maratona costuma apresentar filmes inéditos, pré-estreias, o que dá um ar de exclusividade. Por último e não menos importante, é preciso citar que só quem já se sentou naquelas cadeiras vermelhas e assitiu a um filme bem debaixo daquele imenso e maravilhoso lustre pode dizer que já esteve em um cinema de alta classe. Ir ao cinema ali é outra história.


O primeiro filme da noite foi Jogo de Poder, com Naomi Watts e Sean Penn. O filme conta a história real da agente da CIa Valerie Palmer que tem seu nome revelado nos jornais após seu marido Joe Wilson escrever um artigo para o New York Times dizendo que a acusção do presidente Bush de que o Iraque tinha armas químicas era só uma desculpa. A equipe de Valerie Palmer havia descoberto isso nas investigações e o próprio Joe Wilson tinha ido como embaixador investigar o caso.


O filme não foi o melhor da noite, mas foi bem legal. O que mais me encantou foi que não era um filme de ação propriamente dito. Quando se pensa em CIA, imediatamente veem à nossa mente aquelas perseguições sensacionais, um quê de 007, tiroteios... "Jogo de Poder" é muito mais do que isso.


Ele conta a história de famílias abaladas pela 'guerra ao terror': a família de Valerie, que vê seu casamento definhar; a história da iraquiana usada para tirar informações do irmão cientista que estava envolvido na construção de armas nos anos 90, que vê o irmão ser perseguido por Saddam Russein e ter que fugir com a família do país. Uma ação recheada de drama, sem cair na pieguice. Vale a pena!


O segundo filme foi Caminho da Liberdade, o melhor da noite. Ele narra a incrível fuga de sete presos de um gulag (campo de concentração) soviético na Sibéria, no meio do nada misturado com gelo até perder de vista, e sua jornada por cinco países e milhares de quilômetros até um lugar seguro. Dirigido por Peter Weir (“O Show de Truman” e “Sociedade dos Poetas Mortos”) e com Ed Harris, Jim Sturgess, Colin Farrell, Saoirse Ronan, o filme é incrível.


Pra começar, a história deles é incrível. O roteiro já tava ali praticamente pronto com tudo o que tem direito: ação, drama, comédia, romance... Todos os gêneros em um só. Mas não teria saído um bom filme se não fosse pelas mãos competentes do cara que dirigiu ‘apenas’ “O Show de Truman” e “Sociedade dos Poetas Mortos”. Ele tem o mesmo mérito do primeiro: é emocionante sem utilizar de recursos novelescos: música dramática, lágrimas em excesso, alegrias também em excesso. Mas não. Weir soube encontrar o tom exato de cada momento. Você sofre junto com os caras, mas não ao ponto de saírem lágrimas de crocodilo dos seus olhos.


Outro elogio ao filme é a fotografia. Eles vão da neve ao calor do deserto e a fotografia do filme acompanha isso de maneira ímpar. As locações são lindas e mostram a força das naturezas que eles tiveram que enfrentar.


Agora, como poderia terminar sem elogiar Mr. Ed Harris? Meu Deus, como ele é bom ator! Tão sutil, mas ao mesmo tempo tão intenso. Apesar de não ser protagonista, ele é o personagem mais fundamental da história. Como só três chegam ao destino seguro (e nem vem me dizer que é spoiler
porque isso é dito no primeiro segundo do filme) a única coisa que eu pensava era “Não, o Ed Harris não pode morrer não!”. Não vou contar, mas posso dizer que o resultado me deixou muito feliz. Não só do Mr. Ed, mas de todo o filme.


Por último, passou Assassino à Preço Fixo (incrivelmente “The Mechanic”, no original). Estrelado pelo Jean Claude Van Damme da nova geração, Jason Statham, o filme conta a história do assassino de aluguel que passa a ensinar suas habilidades a um aprendiz que tem ligação com uma de suas vítimas.


Esse foi o mais fraquinho dos três. Ele bem que tentou colocar uma historinha lá, mas se resumiu basicamente ao Jason Statham e seu aprendiz fazendo coisas absurdas. Como foi dito pelos meus amiguinhos que foram comigo, tava lá só pro pessoal tirar um cochilo antes de ir para casa. E para eu ter uma crítica negativa para fazer aqui no blog. Porque fica chato quando só tenho elogios, né?


Mesmo que meio demorado para sair, tá aí o post sobre a incrível, sensacional, maravilhosa Maratona ODEON. Ah, esqueci de falar das outras coisas. Os DJs eram legais, mas acho que o pessoal estava mesmo interessado em cinema, não em dançar ouvindo rock inglês. E o café-da-manhã (muito importante). Bem, podia ter mais bolo!














 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Decepção.


Quem me conhece sabe que um dos meus filmes preferidos é "Casamento Grego", a história da grega Toula (Nia Vardalos) que se apaixonada pelo um não-grego Ian Miller (John Corbett) que tem que fazer de tudo para agradar a família dela. Sou apaixonada por aquele humor bem sitcom que o filme tem. O roteiro é incrível, bem real e sabemos que Nia Vardalos (atriz que interpreta a personagem principal e roteirista do filme) passou realmente todas aquelas situações na vida de grega. Ela é corajosa, mas não mandona. Ele é um doce de homem, sem ser pamonha. Enfim, tudo na dose certa.
E eis que eu estava ontem na casa do meu irmão tomando conta dos meus lindos sobrinhos e zapeando pela TV a cabo quando dei de cara com "Eu Odeio o Dia dos Namorados", com os mesmos Nia Vardalos e John Corbett. Parei para ver porque era escrito e dirigido por Nia Vardalos e fiquei interessada. Se tivesse metade da graça de "Casamento Grego" já seria uma bom programa.
 
Mas, nossa, que decepção! O roteiro é totalmente previsível e, pior de tudo, completamente sem graça. Tem aqueles filmes que são previsíveis, mas que a atuação dos atores vale. Nesse filme, nem isso. Quanta diferença deles de um filme para o outro. No primeiro, havia uma química incrível entre eles, um sentimento de carinho que passava para o espectador.
 
Agora, tudo parecia tão forçado! Nia Vardalos ria como a minha boneca da Eliana de 1,10 (aquela que andava 'sozinha'), aquele sorriso travado, de olhos arregalados que, no rosto de um palhaço, podia estar em um filme de terror. Enquanto Ian Miller era o príncipe que toda mulher sonha, sem ser aquele babaca que parece um cachorrinho, Greg de "Eu Odeio o Dia dos Namorados" é um patetão. Traído pela namorada comissária de bordo, fica com aquela cara de cachorro que tomou chuva. Não dá pena, não. Dá raiva mesmo.
 
Os personagens secundários são outra porcaria "à parte". Parecem ter sido colocados lá de qualquer jeito, só para o elenco não ter duas pessoas. Em "Casamento Grego", a família grega de Toula é enorme, mas, mesmo que você não conheça profundamente cada um dos personagens, eles estão lá e são importantes. Realmente fazem parte da história. Nesse, os coitados dos secundários parecem até figurantes. Podiam entrar mudos e sair calados que, juro, não faria a mínima diferença!
Enfim, uma grande decepção. Até assisti hoje "Casamento Grego" de novo só para poder rir de verdade porque, ontem, não esbocei nem um sorriso.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Despretencioso, prazer, meu nome é Woody Allen


'Tiveram que instalar descargas automáticas nos
banheiros públicos. Como confiar na humanidade se não se pode confiar nela nem
para dar descarga sozinha?'



Essa é uma das falas mais genais de Boris, personagem principal de “Tudo Pode Dar Certo”. Agora, o que esperar de um filme que coloca seu personagem principal para dizer, diretamente para a plateia, que aquelas duas horas não te farão alegres? Onde o mesmo personagem diz que a humanidade é uma raça que falhou e que estamos somente à espera de um lugar na sepultura?

É com esse jeitão Dr. House de ser que "Tudo Pode Dar Certo", de Woody Allen, começa. O diretor volta à sua amada Nova York para contar a história de Boris (Larry David, gênio criador de "Seinfield), um físico depressivo, rabugento, hipocondríaco e que se diz o único a ver 'o cenário completo' do mundo. A vida desse cara começa a mudar quando ele conhece Melody Anne Celestine (Evan Rachel Wood), uma garota do Sul que foge de casa e vai para NY mudar de vida.
O encontro dessas duas mentes tão diferentes dá um resultado incrível. E isso se deve, obviamente, à mente genial de Woody Allen, capaz de escrever os diálogos mais incríveis da maneira mais simples. Irônico até o último fio de cabelo que lhe restou na cabeça, Allen abusa da simplicidade também na direção. É bem legal ver os planos mais abertos, onde os dois atores que falam na cena aparecem o tempo todo, sem nenhum corte.
Woody Allen fez um "Tudo Pode dar certo" com um humor levemente desconcertante. Mesmo que Boris fale verdades crueis, o ator e a direção fizeram um trabalho maravilhoso para que não ficasse um clima pesado. Você não olha Boris como um cara depressivo (no sentindo ruim da palavra), mas, sim, um depressivo divertido. Aquele vizinho mala que enche o nosso saco, mas que a gente ama muito.

“Tudo Pode Dar Certo” com certeza não irá mudar sua vida. Nem é o melhor filme do Woody Allen. Mas pode ter certeza que é diversão pura. E, ao contrário do que alerta Boris, você vai sair feliz da sessão.