quarta-feira, 9 de março de 2011

Despretencioso, prazer, meu nome é Woody Allen


'Tiveram que instalar descargas automáticas nos
banheiros públicos. Como confiar na humanidade se não se pode confiar nela nem
para dar descarga sozinha?'



Essa é uma das falas mais genais de Boris, personagem principal de “Tudo Pode Dar Certo”. Agora, o que esperar de um filme que coloca seu personagem principal para dizer, diretamente para a plateia, que aquelas duas horas não te farão alegres? Onde o mesmo personagem diz que a humanidade é uma raça que falhou e que estamos somente à espera de um lugar na sepultura?

É com esse jeitão Dr. House de ser que "Tudo Pode Dar Certo", de Woody Allen, começa. O diretor volta à sua amada Nova York para contar a história de Boris (Larry David, gênio criador de "Seinfield), um físico depressivo, rabugento, hipocondríaco e que se diz o único a ver 'o cenário completo' do mundo. A vida desse cara começa a mudar quando ele conhece Melody Anne Celestine (Evan Rachel Wood), uma garota do Sul que foge de casa e vai para NY mudar de vida.
O encontro dessas duas mentes tão diferentes dá um resultado incrível. E isso se deve, obviamente, à mente genial de Woody Allen, capaz de escrever os diálogos mais incríveis da maneira mais simples. Irônico até o último fio de cabelo que lhe restou na cabeça, Allen abusa da simplicidade também na direção. É bem legal ver os planos mais abertos, onde os dois atores que falam na cena aparecem o tempo todo, sem nenhum corte.
Woody Allen fez um "Tudo Pode dar certo" com um humor levemente desconcertante. Mesmo que Boris fale verdades crueis, o ator e a direção fizeram um trabalho maravilhoso para que não ficasse um clima pesado. Você não olha Boris como um cara depressivo (no sentindo ruim da palavra), mas, sim, um depressivo divertido. Aquele vizinho mala que enche o nosso saco, mas que a gente ama muito.

“Tudo Pode Dar Certo” com certeza não irá mudar sua vida. Nem é o melhor filme do Woody Allen. Mas pode ter certeza que é diversão pura. E, ao contrário do que alerta Boris, você vai sair feliz da sessão.
 

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