sábado, 9 de julho de 2011

Um jeito diferente de fazer e ver um filme.



Um dos filmes mais cultuados de todos os tempos, “The Rocky Horror Picture Show” é uma daquelas obras que entram para o imaginário das pessoas. Aqui no Brasil, o filme de 1975 nem fez sucesso, mas sua importância em países de língua inglesa é imensurável. A pseudo ficção científica, pseudo terror e pura comédia (musical!), é marca principalmente das comemorações de Halloween, onde os fãs assistem ao filme fantasiados, gritando as músicas e as falas, e tacando comida na tela.
 Mas como “The Rocky” se tornou esse fenômeno? A história é uma loucura completa, os efeitos especiais parecem saídos de Chaves e os cantores nem cantam tão bem. Mas sabe quando a idéia mais louca do mundo dá muito certo? Esse é o caso do filme. A atuação, as músicas e, principalmente, a excelente sátira a outros filmes garantem o título de Cult.
 Para se ter uma idéia de como o filme é importante, ele está em cartaz desde seu lançamento em um cinema de Munique, garantindo a sessão de meia-noite. Quando foi lançado, ficou 4 anos em cartaz na Inglaterra. E em outubro de 2010, aconteceu um evento para comemorar os 35 anos do filme, contando com a presença de Tim Curry (Frank-N-Furter) e participações de atores que não fizeram o filme, como o fofíssimo Jorge Garcia (Hurley, de Lost) interpretando Eddie.  
Eu poderia ficar aqui divagando sobre o filme durante horas e horas. Mas a  transloucada viagem a qual somos levamos por Brad, Janet e sua turma só pode ser sentida vendo. Isso mesmo, não é puxação de saco, não. “The Rocky Horror Picture Show” é um filme fora de tudo aquilo que você provavelmente já viu, uma revolução sem tamanho na linguagem, estrutura e, como os americanos no Halloween, no modo de ver um filme. Porque somente ver às vezes é muito sem graça. Legal é você ser parte daquilo. E que um dia eu assista fantasiada “The Rocky Horror Picture Show” em um cinema muito legal, grite as falas, cante as músicas e jogue muita comida na tela. Uma experiência cinematográfica concreta.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O azar (?) do feriadão

A pessoa que vos fala resolve fazer um passeio cultural. Aproveitar o dia sem trabalho + faculdade para enriquecer o cérebro com coisas inteligentes. Eis que ela decide ir com o namorado e as amiguinhas para a Mostra Hitchcock, no CCBB. Esperando muito suspense, lá vão os quatro assistir A Mulher do Fazendeiro. E qual é a nossa grande surpresa? Ninguém morre, nenhum suspense. Entre os 54 filmes expostos, nós caímos exatamente no filme comédia pastelão. E, ainda por cima, mudo.

Não me entendam mal. Não estou dizendo que o filme é ruim, muito pelo contrário. Até porque seria heresia dizer que um filme de sir Alfred é ruim. Eu até gostei bastante, é fofinho, tem romance. Mas, po, que azar! Estou esperando até agora que alguém morra.

Mas falando do filme especificamente, eu realmente não sabia que o Hitchcock fazia filmes assim. Assim que eu digo com aquela historinha bobinha do fazendeiro viúvo que, depois de casar a única filha, decide procurar uma nova esposa. E suas tentativas mal sucedidas, misturadas com o caseiro mal-humorado e a empregada apaixonada, garantem as "risadas" nos 97min do longa. 

"Risadas" entre aspas mesmo. Minha amiga Janaina dormiu. A outra amiga, Ana, me olhava com uma cara do tipo "vou te matar". Afinal, que sai de sua casa naquela chuva com consciência de que quer ver um filme mudo de 1928? Ainda por cima sendo uma comédia daquelas que só o pessoal da época acha mesmo graça? Minhas amiguinhas não sairiam e, por isso, o desejo de me sufocar com os casacos.

Só o pessoal "das antigas" realmente riu o tempo todo. Uma senhora fofíssima, no auge dos seus mais de 80 anos, ficou o tempo todo dizendo "Ahhhhh, ele gosta dela", suspirando. No final, só disse "Muito bom, muito bom..."

Mesmo assim, valeu muito a pena. Eu, particularmente, não tenho problemas com filmes mudos. Principalmente porque acho que eles trazem de volta o que anda faltando nos filmes hoje em dia: atuação. Afinal, só com muita gente fera que um filme quase sem fala fique "entendível" . A expressão dos atores é fundamental, bem como a genialidade do diretor.

E, com o Hitchcock, genialidade é apelido.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

E não importa quanto o tempo passe...

Quando se ama uma coisa, de verdade, esse amor nunca acaba. E não importa se você ficar três anos sem ver. Essa é a história do meu amor por À espera de um milagre, filme de 1999 dirigido por Frank Daranbot, que é e sempre será o meu filme preferido.



Eu adoro começar os posts com a história de como eu vi o filme pela primeira vez. Acho que as condições desse dia influenciam muito na opinião final sobre o filme. No caso desse, eu havia gravado em fita cassete (ê, saudade!) quando o SBT passou porque era muito tarde e eu queria dormir. No dia seguinte, à noitinha, eu fui assistir com minha mãe. Agora, imagina "À espera de um milagre", que já tem umas três horas, gravado no SBT com trocentos anúncios pelo meio do caminho. Nem deu para gravar outro filme na mesma fita porque ele ficou com umas quatro horas.

Já estava tudo escuro e eu  minha mãe estávamos, literalmente, sentadas no sofá e agarradas no travesseiro. E o filme foi se desenrolando na tela e nós duas não desgrudávamos os olhos da TV nem para ver os anúncios passando em FF. Quando acabou, eu estava suada e mal conseguia respirar. Eram umas onze horas da noite e já havia passado muito da minha hora de menininha-de-13-anos dormir. Tinha aula no dia seguinte e ia acordar muito cedo.

Mas quem disse que eu dormi? Passei a noite toda rolando na cama e as imagens das execuções simplesmente não saíam da minha cabeça, principalmente a do Delacroix. Poucas vezes fiquei tão impressionada com um filme que nem era assim para impressionar. Passou na TV de 14" do meu quarto o "Cidade dos Homens", o Jornal da Globo, o Programa do Jô, o filme do InterCine e quem disse que eu dormia? Fui para a escola parecendo um zumbi, mas morrendo de vontade de contar para todo mundo sobre o filme que eu tinha visto (Acho que foi ali que a faísca do blog surgiu. O meu desejo de botar para fora o que sinto quando vejo um filme muito bom ou muito ruim)

Agora, falando sério. "À espera de um milagre" é realmente um filme muito bom. Também fazia muito tempo que eu não via um filme com o Tom Hanks e tinha esquecido como ele é bom ator. Estava reparando ontem na expressão dele quando o John Coffey chega na Minha Verde. Ele dá uma levantadinha minúscula na sombrancelha quando vê o tamanho do cara, mas minúscula mesmo. Mas é suficiente porque você sabe tudo o que ele está sentindo.

Não é só a atuação do Tom Hanks que está perfeita, não. É impossível falar do filme e não citar Michael Clarke Duncan, o John Coffey. Meu Deus, como ele ainda me impressiona! A cena dele aos prantos agarrado nas duas menininhas loiras é de arrepiar! Outro ator poderia ter feito aquela cena ficar patética, afinal, era um negão de quase dois metros, forte como um touro, chorando feito um bebê. Duncan deu uma sensibilidade e uma delicadeza tão grande para Coffey, que ficou muito fácil acreditar na sua bondade extrema.

Mas nada disso seria possível sem a direção primorosa de Frank Darabont. Ele é que conduz com sensibilidade todos os atores, sabendo quando um deve se sobressair mais do que os outros. No caso deste filme, apenas de Hanks ser o protagonista no 'papel', sabemos que o protagonista 'de verdade' é Duncan e seu John Coffey. E o ator teve todo o espaço para deixar sua marca, tanto que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

 
Pra finalizar (porque o post já ultrapassou e muito o tamanho recomendado de paciência de um leitor), preciso comentar sobre "O Picolino". O musical de 1935, estrelado por Fred Astaire, tem papel fundamental no decorrer do filme. E aquela cena, meu Deus, é linda! "Heaven, I'm in heaven..." Isso só serviu para coroar a grande marca do filme: sua extrema sensibilidade. E é com esse video que eu fecho o post de hoje. Sonhem, amem e, assim, se sintam no céu.



 

terça-feira, 21 de junho de 2011

DE REPENTE 30 - Um conto de fadas ao som do Rei (do pop!)

Se tem uma coisa que eu adoro e não tenho vergonha de admitir são as comédias românticas dignas de "Sessão da Tarde". É difícil imaginar que eu, uma pessoa que se auto-intitula cinéfila, sentada no sofá chorando porque o lindo menino beijou a menina no final, certo? Hãn, certo só se você nem me conhece. Ou se está lendo este blog pela primeira vez. Qualquer relez mortal sabe que uma das coisas que eu mais gosto da face da terra é uma linda declaração de amor e um belo beijo no final. Afinal, sou a garota que ama CSI, mas que ama ainda mais aquela espera por um toque que for entre o Grissom e a Sara. A garota que quase teve um ataque cardíaco quando o Mr. Darcy tocou na mão da Elizabeth Bennet pela primeira vez ajudando-a a subir na carruagem, no filme de "Orgulho e Preconceito". E, hoje, me tornei a garota que chorou lendo o final do último livro do Diário da Princesa, "A princesa para sempre".

Pois é. E hoje essa garota veio escrever sobre uma de suas comédias românticas preferidas: De repente 30. Este é um filme muito legal por diversos motivos. Primeiro, começa nos anos 80 e eu adoro os anos 80! Não tem como não gostar de um filme cuja trilha sonora tem músicas de Madonna, Pat Benatar e, ELE, Michael Jackson! Além daquelas roupas super coloridas, All Stars de cano longo, MTV e Bruce Springsten.

Outro motivo é: quem é o príncipe? Mark Ruffalo! Ele estrela outro dos meus filmes preferidos: "E se fosse verdade", aquele em que chorei pelo shopping por pelo menos uma hora depois de assistir, fazendo minha mãe passar vergonha e os transeuntes terem vontade de tacar batatinhas fritas do McDonald's em cima de mim, com medo da minha pessoa. Como não gostar de um filme com o Mark Ruffalo?

Mas, acima de tudo, "De repente 30" é um filme muito bem feito. De verdade. Jennifer Garder está perfeita no papel de Jenna Rink, a garota de 13 anos que um dia acorda com 30. Ela parece realmente uma menininha perdida, mas deslumbrada com o mundo a sua volta. Tem aquela comédia bobinha, mas é realmente engraçado porque o roteiro é bem escrito e os atores estão fantásticos em seus papéis.

Eu defendo com unhas e dentes a tese de que um filme tem que ser bom, primeiramente, para o que ele se propõe a ser. Se o filme quer ser inteligente e não consegue chegar lá, então ele é ruim. Agora, "De repente 30" quer ser uma comédia fofa; e consegue ser uma comédia fofa. Tem tanto filme do gênero por aí que não consegue causar 10% das risadas nem 5% dos sorrisos que "De repente 30" consegue. Por isso, coloque o DVD, agarra-se em um travesseiro fofo com um panelão de pipoca e chocolate. E sorria! Com, os reis do pop, o amor está no ar!


domingo, 13 de março de 2011

Maratona ODEON


O coração cinéfilo do Rio

 

Ontem eu fiz a coisa mais incrível de toda a minha vida cinéfila: fui assistir à tradicional Maratona ODEON, onde são apresentados três filmes durante a madrugada, com DJ nos intervalos e café-da-manhã no final (muito importante). É um evento tradicional e imperdível primeiro porque o ODEON é o cinema mais incrível do Rio. Construído em 1926. está localizado na Cinelância, berço da Sétima Arte na cidade. Segundo porque a Maratona costuma apresentar filmes inéditos, pré-estreias, o que dá um ar de exclusividade. Por último e não menos importante, é preciso citar que só quem já se sentou naquelas cadeiras vermelhas e assitiu a um filme bem debaixo daquele imenso e maravilhoso lustre pode dizer que já esteve em um cinema de alta classe. Ir ao cinema ali é outra história.


O primeiro filme da noite foi Jogo de Poder, com Naomi Watts e Sean Penn. O filme conta a história real da agente da CIa Valerie Palmer que tem seu nome revelado nos jornais após seu marido Joe Wilson escrever um artigo para o New York Times dizendo que a acusção do presidente Bush de que o Iraque tinha armas químicas era só uma desculpa. A equipe de Valerie Palmer havia descoberto isso nas investigações e o próprio Joe Wilson tinha ido como embaixador investigar o caso.


O filme não foi o melhor da noite, mas foi bem legal. O que mais me encantou foi que não era um filme de ação propriamente dito. Quando se pensa em CIA, imediatamente veem à nossa mente aquelas perseguições sensacionais, um quê de 007, tiroteios... "Jogo de Poder" é muito mais do que isso.


Ele conta a história de famílias abaladas pela 'guerra ao terror': a família de Valerie, que vê seu casamento definhar; a história da iraquiana usada para tirar informações do irmão cientista que estava envolvido na construção de armas nos anos 90, que vê o irmão ser perseguido por Saddam Russein e ter que fugir com a família do país. Uma ação recheada de drama, sem cair na pieguice. Vale a pena!


O segundo filme foi Caminho da Liberdade, o melhor da noite. Ele narra a incrível fuga de sete presos de um gulag (campo de concentração) soviético na Sibéria, no meio do nada misturado com gelo até perder de vista, e sua jornada por cinco países e milhares de quilômetros até um lugar seguro. Dirigido por Peter Weir (“O Show de Truman” e “Sociedade dos Poetas Mortos”) e com Ed Harris, Jim Sturgess, Colin Farrell, Saoirse Ronan, o filme é incrível.


Pra começar, a história deles é incrível. O roteiro já tava ali praticamente pronto com tudo o que tem direito: ação, drama, comédia, romance... Todos os gêneros em um só. Mas não teria saído um bom filme se não fosse pelas mãos competentes do cara que dirigiu ‘apenas’ “O Show de Truman” e “Sociedade dos Poetas Mortos”. Ele tem o mesmo mérito do primeiro: é emocionante sem utilizar de recursos novelescos: música dramática, lágrimas em excesso, alegrias também em excesso. Mas não. Weir soube encontrar o tom exato de cada momento. Você sofre junto com os caras, mas não ao ponto de saírem lágrimas de crocodilo dos seus olhos.


Outro elogio ao filme é a fotografia. Eles vão da neve ao calor do deserto e a fotografia do filme acompanha isso de maneira ímpar. As locações são lindas e mostram a força das naturezas que eles tiveram que enfrentar.


Agora, como poderia terminar sem elogiar Mr. Ed Harris? Meu Deus, como ele é bom ator! Tão sutil, mas ao mesmo tempo tão intenso. Apesar de não ser protagonista, ele é o personagem mais fundamental da história. Como só três chegam ao destino seguro (e nem vem me dizer que é spoiler
porque isso é dito no primeiro segundo do filme) a única coisa que eu pensava era “Não, o Ed Harris não pode morrer não!”. Não vou contar, mas posso dizer que o resultado me deixou muito feliz. Não só do Mr. Ed, mas de todo o filme.


Por último, passou Assassino à Preço Fixo (incrivelmente “The Mechanic”, no original). Estrelado pelo Jean Claude Van Damme da nova geração, Jason Statham, o filme conta a história do assassino de aluguel que passa a ensinar suas habilidades a um aprendiz que tem ligação com uma de suas vítimas.


Esse foi o mais fraquinho dos três. Ele bem que tentou colocar uma historinha lá, mas se resumiu basicamente ao Jason Statham e seu aprendiz fazendo coisas absurdas. Como foi dito pelos meus amiguinhos que foram comigo, tava lá só pro pessoal tirar um cochilo antes de ir para casa. E para eu ter uma crítica negativa para fazer aqui no blog. Porque fica chato quando só tenho elogios, né?


Mesmo que meio demorado para sair, tá aí o post sobre a incrível, sensacional, maravilhosa Maratona ODEON. Ah, esqueci de falar das outras coisas. Os DJs eram legais, mas acho que o pessoal estava mesmo interessado em cinema, não em dançar ouvindo rock inglês. E o café-da-manhã (muito importante). Bem, podia ter mais bolo!














 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Decepção.


Quem me conhece sabe que um dos meus filmes preferidos é "Casamento Grego", a história da grega Toula (Nia Vardalos) que se apaixonada pelo um não-grego Ian Miller (John Corbett) que tem que fazer de tudo para agradar a família dela. Sou apaixonada por aquele humor bem sitcom que o filme tem. O roteiro é incrível, bem real e sabemos que Nia Vardalos (atriz que interpreta a personagem principal e roteirista do filme) passou realmente todas aquelas situações na vida de grega. Ela é corajosa, mas não mandona. Ele é um doce de homem, sem ser pamonha. Enfim, tudo na dose certa.
E eis que eu estava ontem na casa do meu irmão tomando conta dos meus lindos sobrinhos e zapeando pela TV a cabo quando dei de cara com "Eu Odeio o Dia dos Namorados", com os mesmos Nia Vardalos e John Corbett. Parei para ver porque era escrito e dirigido por Nia Vardalos e fiquei interessada. Se tivesse metade da graça de "Casamento Grego" já seria uma bom programa.
 
Mas, nossa, que decepção! O roteiro é totalmente previsível e, pior de tudo, completamente sem graça. Tem aqueles filmes que são previsíveis, mas que a atuação dos atores vale. Nesse filme, nem isso. Quanta diferença deles de um filme para o outro. No primeiro, havia uma química incrível entre eles, um sentimento de carinho que passava para o espectador.
 
Agora, tudo parecia tão forçado! Nia Vardalos ria como a minha boneca da Eliana de 1,10 (aquela que andava 'sozinha'), aquele sorriso travado, de olhos arregalados que, no rosto de um palhaço, podia estar em um filme de terror. Enquanto Ian Miller era o príncipe que toda mulher sonha, sem ser aquele babaca que parece um cachorrinho, Greg de "Eu Odeio o Dia dos Namorados" é um patetão. Traído pela namorada comissária de bordo, fica com aquela cara de cachorro que tomou chuva. Não dá pena, não. Dá raiva mesmo.
 
Os personagens secundários são outra porcaria "à parte". Parecem ter sido colocados lá de qualquer jeito, só para o elenco não ter duas pessoas. Em "Casamento Grego", a família grega de Toula é enorme, mas, mesmo que você não conheça profundamente cada um dos personagens, eles estão lá e são importantes. Realmente fazem parte da história. Nesse, os coitados dos secundários parecem até figurantes. Podiam entrar mudos e sair calados que, juro, não faria a mínima diferença!
Enfim, uma grande decepção. Até assisti hoje "Casamento Grego" de novo só para poder rir de verdade porque, ontem, não esbocei nem um sorriso.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Despretencioso, prazer, meu nome é Woody Allen


'Tiveram que instalar descargas automáticas nos
banheiros públicos. Como confiar na humanidade se não se pode confiar nela nem
para dar descarga sozinha?'



Essa é uma das falas mais genais de Boris, personagem principal de “Tudo Pode Dar Certo”. Agora, o que esperar de um filme que coloca seu personagem principal para dizer, diretamente para a plateia, que aquelas duas horas não te farão alegres? Onde o mesmo personagem diz que a humanidade é uma raça que falhou e que estamos somente à espera de um lugar na sepultura?

É com esse jeitão Dr. House de ser que "Tudo Pode Dar Certo", de Woody Allen, começa. O diretor volta à sua amada Nova York para contar a história de Boris (Larry David, gênio criador de "Seinfield), um físico depressivo, rabugento, hipocondríaco e que se diz o único a ver 'o cenário completo' do mundo. A vida desse cara começa a mudar quando ele conhece Melody Anne Celestine (Evan Rachel Wood), uma garota do Sul que foge de casa e vai para NY mudar de vida.
O encontro dessas duas mentes tão diferentes dá um resultado incrível. E isso se deve, obviamente, à mente genial de Woody Allen, capaz de escrever os diálogos mais incríveis da maneira mais simples. Irônico até o último fio de cabelo que lhe restou na cabeça, Allen abusa da simplicidade também na direção. É bem legal ver os planos mais abertos, onde os dois atores que falam na cena aparecem o tempo todo, sem nenhum corte.
Woody Allen fez um "Tudo Pode dar certo" com um humor levemente desconcertante. Mesmo que Boris fale verdades crueis, o ator e a direção fizeram um trabalho maravilhoso para que não ficasse um clima pesado. Você não olha Boris como um cara depressivo (no sentindo ruim da palavra), mas, sim, um depressivo divertido. Aquele vizinho mala que enche o nosso saco, mas que a gente ama muito.

“Tudo Pode Dar Certo” com certeza não irá mudar sua vida. Nem é o melhor filme do Woody Allen. Mas pode ter certeza que é diversão pura. E, ao contrário do que alerta Boris, você vai sair feliz da sessão.
 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011

(Uma grande observação antes de qualquer coisa: assisti "O Discurso do Rei" na sexta-feira passada e pretendia escrever sobre ele aqui. Até escrevi um texto muito legal, coisa e tal, tal e coisa. Enfim... Só que o blog me sacaneou, não salvou meu texto e fiquei tão 'chateada' (para não dizer puta) que perdi a vontade de escrever tudo de novo. Mas só para constar: "O Discurso do Rei", nota 9. Certinho demais, podia ter mais emoção. E espero que ele não ganhe Melhor Filme hoje e torço por Melhor Ator para o Colin Firth. Adendo especial para Helena Bohan Carter aparecendo pela primeira vez normal!)





Esta noite tem... Tchan Tchan Tchan: OSCAR! E a Globo, pra variar, vai passar só a partir da meia-noite, perder metade dos prêmios técnicos e Ator/Atriz Coadjuvante enquanto somos obrigados a aturar o BBB. Bom, quem manda ser pobre e não ter TV a cabo, né? Senta e chora...

Bom, mas vamos ao que interessa: os indicados e meus preferidos. Para Melhor Filme queria muito que "Toy Story 3" ganhasse, do mesmo jeito que há dois anos atrás torcia por "Wall-E". É praticamente impossível isso acontecer, visto que temos na disputa "O Discurso do Rei", que veio para abocanhar tudo, "Cisne Negro", "A Rede Social" e "127 horas" que tão aí para surpreender. 

A disputa para Melhor Diretor está acirrada. Eu gosto muito dos irmãos Cohen, mas confesso que não vi "Bravura Indômita". David Fincher é outro que merece pelo seu "A Rede Social". Correndo ali do ladinho tem Tom Hooper, que mostra em "O Discurso do Rei" tudo o que é preciso para um filme ganhar um Oscar. 

Pros indicados a Melhor Ator, estou realmente torcendo muito pro Colin Firth. Ele fez um trabalho sensancional em "O Discurso do Rei" e com poucas palavras (literalmente!) consegue passar o que o príncipe sente. Porém, a concorrência tá braba: Jeff Bridges, Javier Bardem, Jesse Eisenberg e James Franco. Para Melhor Atriz tá quase certo: Natalie Portman. Seu trabalho belo em "Cisne Negro" é incontestável e não deixa chance para as concorrentes.

Para Ator Coadjuvante, fico divida entre Christian Bale, por "Vencedor" e Geoffrey Rush, por "O Discurso do Rei". Os dois merecem e muito o prêmio. Além disso, Mark Ruffalo também tem a minha torcida (mas só porque eu acho ele a maior gracinha!). Para Atriz Coadjuvante, torço para Helena Bohan Carter, por "O Discurso do Rei". Seu papel quase não tem fala ou participa da 'ação', mas ela nos mostra uma esposa dedicada, carinhosa e transborda amor, mesmo em poucas cenas. 

Para as outras categorias, eis meus preferidos:

• Roteiro Original - "A Origem"
• Roteiro Adaptado - "Toy Story 3" (torço para ele em tudo quanto é categoria!)
• Longa Animado - "Toy Story 3"
• Filme Estrangeiro - infelizmente, não assisti nenhum.
• Direção de Arte - "Harry Potter e as Relíquias da Morte, parte 1" (torcendo de roer as unhas!)
• Fotografia - "O Discurso do Rei"
• Efeitos Visuais - "Harry Potter e as Relíquias da Morte, parte 1" (torcendo de roer as unhas!)
• Figurino - entre "Alice" e "O Discurso do Rei"
• Montagem - sinceramente? Não sei.
• Maquiagem - "O Lobisomen" 
• Documentário - "Lixo Extraordinário" (só porque é meio brasileiro e eu já fui no Aterro de Gramacho!)
• Documentário em Curta-Metragem/Curta-Metragem - não vi nenhum para tecer alguma opinião.
• Animação em Curta-Metragem - "Day & Night"
• Canção Original - We Belong Together, de "Toy Story 3"
• Trilha Sonora/Edição de Som/Mixagem de Som - são todos tão bons que não consigo escolher um só! (mentira, não entendo nada disso mesmo...)



domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Pois estragar a própria vida é um direito inalienável."


Lições de vida em 122 minutos

Atendendo a um pedido feito à mais de um ano pela minha irmãzinha Dani (companheira de micos com bateristas e parceira de romantismo) este post é dedicado a um dos filmes mais lindos já feitos: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

O filme pode ser claramente explicado quando se pensa na protagonista: Amélie. Ela é uma das personagens mais fortes da história do cinema. A mistura de docura, fofura, caridade tão intensa que é impossível não se apaixonar por ela desde menininha.

Ela teve uma infância muito difícil. Seus pais eram complexos e ela foi diagnosticada com uma doença cardiaca pelo pai (médico) por ficar muito feliz ao pai tocá-la no exame mensal. Assim, a mãe, professora, foi responsável por sua educação porque Amélie não podia ir para a escola como as outras crianças por causa da doença fictícia. Amélie se fechou em um mundo imaginário mágico; e ficou assim durante toda a infância, principalmente depois que a mãe morreu (uma mulher se jogou do alto da igreja e caiu em cima dela). O pai tornou-se ainda mais distante e Amélie não via a hora de sair de casa.

Em 1997, Amélie é uma garçonete em Paris. Um moça comum, que trabalha para pagar o aluguel. Mas, ainda é aquela menina solitária, presa em um mundo particular. Seu destino muda quando ela assiste pela televisão a notícia da morte da Lady Di. Ao deixar cair a tampa de seu perfume, encontra um azulejo solto e lá uma caixinha cheia de objetos infantis. Determinada, ela encontra o dono e, ao vê-lo tão feliz, resolve ajudar todas as pessoas ao seu redor.

Confesso que, tanta demora para escrever sobre "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" aqui no blog se deve ao fato de que é muito difícil por em palavras a mistura de sentimentos que é o filme. Pode sair por aí perguntando e vocês vão ver que 99,9% das pessoas que viram o filme abrem um sorrisão quando lembram e só conseguem falar coisas como "Lindo!" ou  "Emocionante!". Isso porque ele mexe com a sua alma, o seu coração.

"O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" é sobre sentimentos. A carência da menina, o amor da mulher. A solidão do pai, a emoção e a perplexidade de ver seu duende 'viajando' pelo mundo. São sentimentos que todos nós partilhamos e é por isso que nos identificamos tanto com o filme.

A direção de arte dele é absolutamente primorosa. Um colorido bonito que combina com o alto astral de Amélie. Essas cores estão presentes até mesmo nos ambientes mais escuros. Vi no making of que os diretores de arte se inspiraram nos quadros de um pintor brasileiro chamado Machado, que também usava muito verde com vermelho em seus filmes. O roteiro é de uma originalidade impressionante. O filme não seria a mesma coisa sem aquele narrador, falando as caracterísiticas dos personagens, dizendo o que eles gostam ou não.

Agora, como é um filme sobre personagens, seria ridículo se eu fizesse esse post sem falar dos atores. Primeiro, Audrey Tatou, na pele de Amélie. Meu Deus, como é é linda! E como ela consegue, na simplicidade de sua atuação, passar todas as emoções que Amélie sente. Mathieu Kassovitz como Nino, o rapaz por quem Amélie se apaixona também é uma fofura só. E todos os personagens secundários que interpretaram as 'manias' deles de uma maneira tão leve que tudo ficou verossível, quando podia ter ficado piegas e falso.

Bem, eu poderia passar o resto da vida aqui dziendo a palavra "fofo" duzentas vezes. Porque "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" provoca em nós essa coisa aqui dentro do peito. Você termina de ver e simplesmente não consegue parar de sorrir de felicidade. Felicidade por ter visto uma história linda sobre o amor. Mas, acima de tudo, sobre a vida, seus pequenos prazeres, o prazer de se estar vivo, estourar plástico-bolha, tacar pedras no rio e, assim, vencer o tédio, os dramas e a solidão.

Obrigada, Amélie!

- Nem a conheço.

- Claro que conhece

- Desde quando?

- Desde sempre…Em seus sonhos.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Top 10 - Séries para ver antes de morrer

Trazendo de volta os "Top 10" do Cinéfila.com e embalada pelo post anterior sobre o final de Lost, esta é uma lista das séries de televisão para se assistir antes de morrer. Um pouco de toque pessoal, um pouco de pesquisa na internet. Essas são as dez séries que, na minha opinião, devem ser assistidas antes de morrer. Enfim, não assisti a todas. Não posso morrer ainda!

1. Seinfeld

Na frente em 9 entre 10 listas sobre seriados, Seinfeld não foi tão popular no Brasil, mas é uma das séries que mais vale a pena assistir. Principalmente pela genialidade de fazer graça com coisas simples como a fila do cinema, achar o carro no estacionamento do shopping ou comprar um terno. Agora, mais legal é que não tem um lição de moral, o momento chororô ou um final emocionante. Seco, mordaz e irônico até o último fio de cabelo. A vida só está completa depois que se entra na "Filosofia Seinfeld"

2. Lost


A história dos 48 sobreviventes do voo 815 da Oceanic Airlines mudou a história da televisão. Criatividade pura, muito mistério e um roteiro que sempre deixava o espectador com gostinho de quero-mais. Só não merece o primeiro lugar por não ter sido tão regular quanto Seinfeld. Depois de uma primeira temporada absolutamente genial, as outras não conseguiram manter o mesmo nível, mas ainda sim foram muito boas. O final controverso (alguns amaram, outros odiaram) garante Lost nas conversas durante muitos anos ainda.

3. Família Soprano


A série acompanha a vida de Tony Soprano, um mafioso ítalo-americano de Nova Jersey que procura a ajuda de uma psiquiatra para conseguir lidar com a sua vida familiar e com os negócios da máfia. Uma boa pedida para quem gosta de O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros, um grupo excelente de atores, um roteiro dos mais incríveis e na minha lista de assistir para assistir antes de morrer.


4. Friends
 
 
Seis amigos aprendendo sobre a vida juntos em Nova York. Friends é simplesmente a série de comédia mais bem-sucedida da história da televisão mundial. No fim, os protagonistas ganhavam 1 milhão por episódio e um anúncio no episódio final custava 2 milhões de dólares. O melhor da série foi conseguir mantes os seis atores como protagonistas, recebendo o mesmo salário, sem priorizar um ou outro. Isso em termos de roteiro é bastante complexo e Friends fez isso de maneira única. Um belo exemplo de que o humor descompromissado e leve pode ser muito, muito bom.
 
5. CSI Las Vegas



Considerada por muitos a melhor série policial da TV, CSI conta o dia-a-dia de cientistas forences da polícia de Las Vegas, responsáveis por resolver casos poucos comuns e mortes em circunstâncias misteriosas. É uma série muito inteligente, os casos são sensacionais e eles sempre conseguem atualizar o mesmo enredo: alguém morre e lá vão eles investigar. Depois da saída de Gil Grissom os fãs chiaram muito, mas a verdade é que ela ainda continua entre as líderes de audiência.

6. Os Simpsons



Minha maior lembrança quando penso n'Os Simpsons é no meu irmão caindo na gargalhada enquanto eu, criança, ficava puta porque não conseguia entender. E, tá aí o maior mérito de Matt Groening: fez uma série que, definitivamente, não é para qualquer um. Simplesmente genial do início ao fim.

7. Gilmore Girls

Para mim, a melhor série dramática já feita. Aliás, a melhor série já feita em qualquer categoria que se escolha. Afinal, todo mundo sabe que Gilmore Girls é a minha série preferida! A história de Lorelai Gilmore, que ficou grávida aos 16 anos, e sua filha Rory tem tudo o que uma boa série deve ter: a dose certa de drama, comédia, romance e até aventura. E os diálogos das duas são impagáveis. Atuações impecáveis da dupla protagonista, bem como de todos os outros atores, principalmente dos habitantes de Stars Hollow. E, cara, é a maior concentração de homem bonito por metro quadrado em uma série! #Luke

8. Chaves



Em 2010, Chaves completou 40 anos initerruptos de exibição na televisão e já foi exibido em mais de 120 países. Só isso já basta para explicar o porquê dele estar na lista. A história do menino pobre e esfomeado que mora numa vila no subúrbio mexicano é simplesmente a melhor comédia já feita. É doce, inocente, encantador e cativante no seu melhor: a simplicidade. Um roteiro brilhante e atuações excelentes conseguem driblar os problemas de cenários feitos de isopor e papelão. Mas, sinceramente, esse é o encanto maior de Chaves: não se precisa de cenário quando se tem imaginação. Use sua alma de criança e dê muitas risadas.

9. Twin Peaks



Essa eu nunca vi, mas tenho muita vontade! A série girava em torno de uma investigação do FBI, liderada pelo agente Dale Cooper, para descobrir a verdade sobre o brutal e chocante assassinato da adolescente Laura Palmer. Só teve trinta episódios, mas se tornou cult e, bem ao estilo novela-do-Gilberto-Braga, lançou a pergunta que ficou na cabeça de todos os amercianos: "Quem matou Laura Palmer?". E, claro, não pode esquecer que foi criado por David Lynch. É, só isso.

10. Profissão: Perigo


Angus MacGyver: cara que acaba com um vazamento de ácido sulfúrico usando chocolate, faz bomba usando chiclete, desarma míssil usando clipes de papel, constrói um detector de mentiras com um verificador de pressão e um despertador, tapa um buraco no radiador do carro com um ovo frito... Precisa falar mais alguma coisa?

Menções honrosas:
• Dr. House - Impossível não amar o médico mais mal-encarado de todos os tempos.
• The Big Bang Theory - Ser nerd nunca foi tão cool.
• Glee - Pros chatos de plantão, Glee é, sim, uma das séries mais criativas da TV. E eles são bons de verdade: só com eles para eu ouvir 'The Thong Song'
• Eu, a Patroa e as Crianças - Queria que meu pai fosse como Michael Kyle!
• A Gata e o Rato - Os diálogos ultra-rápidos começaram com Cybill Sheperd e Bruce Willis nessa série dos anos 80 que não perde em nada para os roteiros atuais.