terça-feira, 6 de abril de 2010

Armargedon? Impacto Profundo? 2012? Não, 05/04/2010!


O que aconteceu ontem e continua acontecendo hoje no Rio de Janeiro é algo inimaginável. As proporções são gigantescas e ninguém era capaz de prever uma chuva equivalente a 300 mil piscinas olímpicas em apenas 24h. E o resultado: caos completo, culpa da falta de infra-estrutura da cidade e da falta de educação de quem joga lixo onde não deve.



Por volta das cinco horas da tarde de ontem, uma chuva torrencial começou a cair em todo o Rio. Eu estava na PUC e tinha acabado de sair para fazer um lanche. Mesmo vendo a chuva, nunca ia sonhar com que me esperaria às sete horas, quando as minhas aulas acabaram. Tinha onda nas ruas da Gávea e, em cinco metros de caminhada, metade da minha calça já estava encharcada e eu tinha poças dentro do meu All Star. Meu objetivo era pegar o 460 (Leblon/São Cristóvão) pois achei que isso era o suficiente. Na minha doce inocência, eu até pensei "Poxa, tomara que a Borges de Medeiros - rua que beira a Lagoa Rodrigo de Freitas - não esteja tao engarragafada para eu chegar a tempo de ver CSI Las Vegas!". Eram sete horas e achei que até as nove e dez eu estaria em Marechal. Ledo engano. Nove horas eu ainda não tinha nem chegado ao túnel Rebouças. Quem conhece, sabe que esse trajeto é feito, em dias sem trânsito, em uns quinze/vinte minutos. O trajeto total do ônibus eu já fiz em meia hora em dias excelentes. E ontem, foram seis horas e meia dentro daquele ônibus, quase todo fechado por causa da chuva. Minha única companhia era o radinho do celular, onde ouvia na Band News o que eu mais temia: Praça da Bandeira completamente alagada. Ou seja: pra mim, o fim das esperanças de chegar em casa ainda no dia 05 de abril. Depois dessas seis horas a mais, cheguei em São Cristóvão e encontrei o meu pai héroi, que saiu de casa aquela hora, com nosso carrinho velhinho que anda meio mal das pernas, mas pronto para me socorrer. A partir desse momento, eu me tranquilizei: pelo menos não estava sozinha. Mas nas quase duas horas seguintes ficamos os dois "costurando" pelas ruas da Zona Norte, fugindo dos pontos de alagamento. Lá pelas três da madrugada, eu consegui passar pela soleira da minha porta, rezando e agradecendo muito a Deus por ter me ajudado a, apesar de tudo, chegar bem em casa.



E o fim do meu dia foi o seguinte: um belo banho com direito a álcool nas pernas para matar os 'micróbios' e um belo jantar seguido de sorvete, colomba pascal e chocolate; tudo isso assistindo a "Veronica Mars" no TeleSeriados do SBT. Danem-se as calorias, os carboidratos durante a noite e a dieta engordiet. Depois disso tudo, eu merecia, né?



Agora, como algo dessa magnitude foi capaz de acontecer no Rio? De quem é a culpa dessa história toda? Pra mim, um pouco do governo, que não investe em infra-estrutura adequada. Imagina uma chuva dessas em 2016, no meio das Olimpíadas? Outra parte da culpa é da própria população, que, mesmo sofrendo há décadas com tragédias decorrentes da chuva, continua jogando o lixo onde bem entende. Ou vai dizer que você aí nunca presenciou alguém jogado lixo pela janela do ônibus? Esse lixo entope os bueiros, que limpos já não são suficiente; sujos então...



Se 2012 ainda estivesse sendo filmado, Roland Emmerich bem que podia usar as imagens de reportagem como cenas do filme. Aquele alagamento gigantesco por toda a cidade, carros abandonados por todo o lado, gente que desceu dos ônibus e seguiu o caminho a pé (como foi o caso de muita gente que estava no mesmo 460 que eu) , pessoas ilhadas, gente passando mal, mães com crianças de colo no meio da chuva, grávidas desesperadas, gente que desligou o carro no engarrafamento e parou para bater um papo com os "vizinhos" de tragédia, deslizamentos de terra, gente perdendo suas casas, gente perdendo familiares e amigos que morreram soterrados ou afogados. Enfim, algo muito mais terrível do que aquele Cristo Redentor se espedaçando... Mas é sério, parecia cena de filme mesmo. Agora, se algum dia fizerem um filme sobre o dia 05/04/2010 no RJ, deve privilegiar o caos psicológico na cabeça das pessoas. Imagina não saber se você vai conseguir chegar em casa? Imagina estar às duas da madrugada em uma cidade como essa, temendo arrastão, assaltos? Saber que nem a polícia, nem os bombeiros, nem a Defesa Civil podem chegar até você?



O que nos resta agora é rezar pelos mortos e feridos, por quem corre o risco de perder o pouco que tem e para que isso nunca mais aconteça. Mas rezar só não adianta, pois sem o posicionamento do poder público e sem uma mudança de atitude da população, nem Deus pode fazer esse milagre sozinho.



7 comentários:

  1. Protesto feito e aceito!
    Será que temos mesmo condições infraestruturais e sócio-educacionais para sediarmos uma Copa do mundo ou Olimpíada? Acho que a resposta já tivemos ontem. Lindo texto, Celle. Parabéns! Bjos!

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  2. coitadinha do meu amorzinho, fqiuei com tanta peninha de vc =/
    e po, os royalts do petróleo infelizmente nao vao ser usados pra melhorar nossa infraestrutura, proxima eleição pra prefeito vo me candidatar e mina proposta é espalhar mais de 1000 buiros pela cidade.

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  3. Caraca celly!!!! q bom q vc chegou bem em casa e teve a sorte do seu pai ir te buscar, imagina os q num tem essa sorte, e o nosso "querido" presidente, apenas c preocupando com a Copa, com as Olimpiadas e mais nada!!! realmente, "2012" está sendo hj, agora, é só ve o tamanho dessas catástrofes q diariamente acontecem!!
    bjos

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  4. Parecia mesmo o fim do mundo, cenas de filme de ficção.
    Graças a Deus você chegou em casa bem, Celly. Molhada, porém bem, né? rss

    Belo post, protesto e desabafo.

    Beijos da sua fã. :)

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  5. Muitas pessoas perguntaram até a si mesmas o porquê dessa catástrofe que atingiu o nosso estado. Mas o peso desequilibrado da mudança climática ainda é evidente neste caso dramático?

    O resumo de um monólogo de proporções bíblicas para essa resposta é que quase dois meses inteiros decorreram em menos de 24h sob uma chuva ininterrupta, seguidos de uma precipitação equivalente a mesma quantidade da chuva que causou toda essa desgraça.

    Mas o que eu realmente penso é que o fator nada desprezível é o baixo prestígio que engenheiros; geólogos; arquitetos e cientistas têm em nossa sociedade. Pois é mais fácil encontrar e ter aqui no Brasil os tais MC’s; DJ’s; Rappers; Funkeiros; Pagodeiros e etc. do que Mestres e Doutores nas áreas citadas, que incluiria os oceanógrafos; geógrafos; projetistas; cientistas políticos e arquitetos de urbanismo.

    Sei que não adianta mais fazer alusões e críticas agora que o leite já foi derramado, pois devemos fazer algo para ajudar os necessitados. Mas ainda precisamos entender os porquês dessa derrama para que num futuro próximo possamos trabalhar mais com prevenções do que simplesmente contabilizar a catástrofe.

    E o seu blog é muito legal. Maneiro mesmo, vou vir aqui mais vezes! E parabéns pelos textos. =)

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  6. Celle, isso é bonito de se ler! Os cariocas precisam cuidar da sua cidade (principalmente nossos amigos do 460 e do trem ¬¬').
    Enfim... não é a toa que você será uma boa jornalista, seu primeiro furo de reportagem! HAHAHA
    Eu acho que eu estou quase entrando pro staff do blog pq estou auxiliando com muitos filmes!! HAHAHAA brincadeiriiiiinhaaaaa x.x'

    PARABÉNS
    bjoooks :*

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