quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Harry Potter - O fã nunca foi tão feliz


Corre que o final tá chegando!

Ver "Harry Potter e as Relíquias da Morte" é, para mim, mais do que uma simples ida ao cinema. É a constatação de que a infância acabou mesmo e que, depois de dez anos, a série está chegando ao fim. Por mais que se tente, não dá para adiar essa despedida eternamente. O que se tem a fazer, então, é aproveitá-la ao máximo até os últimos segundos.


E, graças a Deus, parece que a Warner finalmente entendeu esse sentimento que assola tantos e tantos fãs espalhados pelo mundo. Depois de seis filmes medianos - tô tentando ser fofinha, senão diria sofríveis - o grande receio era que as duas partes derradeiras não fizessem jus à maravilhosa série de livros, sempre infinitamente superiores às películas.

Mas não. Pelo primeira vez, um filme do Harry Potter foi feito inteiramente para os fãs. Afinal, eles que passaram mais de dez anos lotando livrarias, indo à pré-estreias fantasiados, comprando trocentos badaluques como varinhas, livros, caldeirões e pomos de ouro. Fãs que tatuaram no corpo o amor à Harry Potter e que passaram seis filmes fazendo bonequinhos de vodu com diretores e roteiristas. Tudo bem, eu exagerei bastante. Os filmes eram ruins mas não tanto assim. Porém, o que mais irritava era que eles nunca se lembravam do fã de verdade. O filme tinha que ser comercial, então que se dane a personalidade dos personagens, a história da J.K, que se dane tudo. Vamos vender é ingresso, ueba!

E como isso dava raiva! É claro que dá para fazer um filme comercial e que ainda agrade aos fãs! "O Senhor dos Anéis" está aí para comprovar. E olha que o enredo do Tolkien é muito mais complexo que o da J.K.. Ele era muito mais detalhista e o mundo dele infinitamente pior de tentar explicar. A grande diferença entre as duas séries é que Peter Jackson amava "O Senhor dos Anéis" e fez a melhor adaptação possível, mesmo cortando as coisas.

"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" conseguiu chegar nesse nível. A gente sabe que é impossível manter tudo do livro, até porque tanta coisa foi cortada nos filmes anteriores que ficaria rídiculo. Por exemplo, o Lupin é um personagem importantíssimo nos livros, que sempre está presente. Seria estranho colocar todo o drama sendo lobisomem, se casando com uma humana e procriando (correndo o risco de passar a doença para o filho) nos filmes, onde o coitado mal aparece! Mas tudo bem, o fã entende. Entende que a equipe fez o melhor possível. E que melhor! O resultado é sensacional! Direção, atuação, trilha sonora, fotografia, figurino... Tudo parece ter conspirado a favor. Esse não um excelente filme pros 'padrões Harry Potter'. É um excelente filme e ponto final. Comparável à clássicos como a própria trilogia do Anel.

Para começar, David Yates conseguiu achar o ponto na direção depois de três filmes. A gente sabe que os livros foram amadurecendo junto com os personagens. A mesma coisa aconteceu com os filmes. Esse é o capítulo mais denso, político e assustador da história. Harry agora está fora de Hogwarts, longe da Ordem da Fênix e da proteção de Dumbledore. Ao seu lado, Rony, Hermione e um rádio, onde ele procura notícias dos amigos. O trio está vagando pelo mundo à procura das Horcruxes, objetos onde Voldemort guardou um pedaço de sua alma para se tornar imortal. Eles não sabem aonde ir, estão perdidos, com fome, sem lugar para dormir e sem saber que rumo tomar. O uso de câmera na mão favoreceu passar esse sentimento ao espectador e Yates usou planos longos, contemplativos para transmitir a sensação de completa desorientação dos personagens.

Mas é claro que nada disso seria possível sem a perfeita atuação dos atores. Daniel Radcliffe merece créditos por se esforçar ao máximo no papel principal. Ele está muito melhor, cresce a cada filme e deve ser mesmo dificil carregar nas costas a esperança de dois mundo (o bruxo, como Harry; e o trouxa, como Harry). Emma Watson sempre a melhor dos três. E prova mais uma vez que tem um belo futuro no cinema. A cena em que ela apaga a memória dos pais é tocante. Não tem nenhuma fala, mas a expressão de Emma é realmente de cortar o coração. Agora, a primeira parte é de Rupert Grint. Ele sempre foi bom, mas nesse filme teve a oportunidade de mostrar seu talento. É mais do que o amigo engraçado de Harry para se tornar um verdadeiro guerreiro, um herói. E, agora, tudo fica mais complicado para o trio principal, que está sozinho mno mundo trouxa, sem a proteção dos muros seguros de Hogwarts.

E os atores 'secundários', que salvaram os outros filmes do completo desastre, mais uma vez provam porque foram escolhidos a dedo para os papéis. Alan Rickman dá show e faz um Snape melhor do que o que vive na imaginação da própria J.K. Ele é e sempre será o melhor de todos. Ralph Fiennes, que isso, é um Voldemort assustador. Jasoon Isaacs mostra outro lado de Lucius Malfoy: amedrontado. E ficou super eficiente. Agora, o destaque não poseria ser outro: Helena Boohan Carter. Ninguém mais poderia ter feito Belatriz. Nossa eterna Marla Singer está perfeita no papel, sem tirar nem pôr nada.

Agora, um adendo muito especial: Dobby. Ai, como ele é um personagem fofo! Nos livros ele sempre esteve ao lado do Harry, ajudando e salvando-o. E, meu Deus, conseguiram fazer jus a toda a história dele nesse filme. Seu discurso antes de ser atacado por Belatris (ai Jesus, se você ainda não sabe a história, se mata), me fez chorar! Sim, eu chorei por causa de um boneco de computador, e daí? Quando ele começou a falar sobre liberdade meus olhos marejaram porque eu sabia o que estava por vir (tá bem, você ainda não viu, então não vou contar mais nada)

Sim, eu já vi Harry Potter duas vezes. E poderia ter visto a terceira, a quarta, a quinta... Enfim, é um filmaço. E eu estou mais do que feliz com o resultado: estou radiante. Pela primeira vez essa fãzoca aqui tem orgulho de dizer: "vou ver Harry Potter!" Valeu, Warner! E aguardo ainda mais ansiosa pela Parte 2! Malfeito feito!

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